Apesar de parte significativa dos pesquisadores seguir publicando seus trabalhos de forma conservadora, o atual panorama da comunicação científica é extremamente dinâmico, e tem sido, em grande medida, impactado e modificado pelo uso de ferramentas de gestão das atividades e do fluxo de pesquisa. 
O atual fluxo de comunicação científica demanda publicações que expandam as formas de socialização e de intercâmbio do conhecimento; que sejam capazes de apoiar a replicação de experimentos e de testes de veracidade e que possam, ademais, oferecer seus conteúdos para reutilização em outros contextos de pesquisa. 
Soma-se a isso o advento do inovador movimento da ciência aberta, que busca adequar a comunicação científica às possibilidades tecnológicas, para configurá-lo com base nas ferramentas disponíveis, aumentando sua eficácia e eliminando as anomalias do sistema de disseminação do conhecimento científico, por sua vez, criado em um contexto tecnológico, mecânico e impresso 
Nos últimos anos, o artigo científico e, por consequência, a revista científica passaram a ocupar um papel central no processo de avaliação da produtividade científica de indivíduos e de instituições brasileiras, com peso destacado para os critérios de classificação da carreira individual dos pesquisadores e dos programas de pós-graduação elaborados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Acrescenta-se a isso o fato de as próprias revistas terem seu desempenho submetido ao crivo de instituições que as controlam e as classificam, como os indexadores Pub Med, Web of Science (WoS), Scopus e Scientific Electronic Library Online (SciELO), além de outros indexadores, tais como: Lilacs, Google Scholar, Latindex, DOAJ, ESCI.
A avaliação por pares, na forma como a conhecemos hoje, foi inicialmente proposta em 1831, por William Whewell, à Royal Society de Londres, sugerindo que uma comissão de acadêmicos avaliasse os artigos publicados no periódico Philosophical Transactions, do qual era o editor. Ele acreditava que os relatos produzidos poderiam ser mais interessantes que os próprios artigos e, além disso, os autores ficariam agradecidos de ter seus textos revisados por dois ou três especialistas. Whewell, entretanto, não tinha intenção de selecionar artigos de qualidade ou criar um sistema para apoiar decisões editoriais. Ele apenas procurava aumentar a visibilidade da ciência na sociedade e procurava criar uma identidade ao empreendimento científico no Reino Unido, que buscasse mais recursos e maior reconhecimento público. 
Foi apenas no século XIX que os editores passaram a adotar sistematicamente práticas de avaliação e de revisão ao processo de publicação científica como forma de assegurar a integridade dos relatos de pesquisa.
A avaliação por pares é tida como um dos pilares da comunicação científica. No entanto, isso não significa que o processo seja totalmente confiável e livre de erros. Assim, após a estruturação da editoração científica surgiram inúmeros periódicos, divulgando o conhecimento nas diversas áreas das Ciências Exatas e da Terra, Ciências Biológicas, Engenharia / Tecnologia, Ciências da Saúde, Ciências Agrárias, Ciências Sociais, Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes.

Em junho de 2019, iniciamos um projeto audacioso de criação de uma revista científica. Desde o princípio, reunimos um grupo de entusiastas da ideia e construímos, a partir de um projeto, o “Archives of Pediatric Neurosurgery”.
Seguem as principais etapas cumpridas neste ano:

- pesquisa da plataforma digital (OJS/PKP);
- estruturação do website de acordo com as normas e recomendações de revistas renomadas e tradicionais;
- criação de artes e logotipo;
- composição de corpo editorial nacional e internacional qualificados;
- processo interno do website (organograma de recebimento, análise, resposta, editoração do artigo);
- divulgação, elaboração de artigos;
- cronograma de publicação (quadrimestral);
- indexação no Google Scholar;
- obtenção do ISSN;
- aprovação no Diretório de políticas editoriais das revistas brasileiras (DIADORIM e licença Creative Commons);
- publicação do “online first”;
- filiação na Associação Brasileira de Editores Científicos (ABEC);
- inclusão no diretório da ABEC;
- obtenção do Digital Object Identifier (DOI).

Tomando-se como referência que o primeiro ano de vida é uma etapa de forte aprendizado no desenvolvimento humano e que inúmeras e incontáveis habilidades são adquiridas neste período, podemos fazer um paralelo entre o nascimento do “Archives of Pediatric Neurosurgery” com esta importante etapa da vida de qualquer ser humano.
As revistas científicas, costuma-se dizer, têm alta taxa de natalidade acompanhada de alta taxa de mortalidade.
O APN representa um belo exemplo de projeto coletivo desenvolvido por uma comunidade acadêmica específica. Seguimos aprendendo e trabalhando para construir uma revista sólida e perene.
A colaboração de todos é fundamental para que possamos nos estabelecer como um canal de divulgação respeitado entre os nossos pares.

Feliz 1 ano de vida !

Sergio Cavalheiro / Ricardo Santos de Oliveira
Editores Archives of Pediatric Neurosurgery